Os MCs que agitam a batalha do relógio em Taguatinga centro
- Ana Paula Figueiró

- 5 de abr. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de abr. de 2019
Por: Ana Paula Figueiró e Bárbara Aparecida
O encontro traz a cultura de rua de forma acessível para os jovens

A cerca de 19 km de Brasília, a Batalha do Relógio acontece religiosamente às quintas-feiras na Praça do Relógio, em Taguatinga Centro, com início às 19h30 e previsão de término às 22h. A Batalha foi criada em 2014 por Thiago Cardoso, o MC Cardoso e Silas Augusto, o MC Free.
O encontro cultural reúne jovens de diversas cidades para assistirem os duelos de rimas. Um dos organizadores do evento, Emanuel Brandão, o MC Maneco, conta que a manifestação nasceu a partir da necessidade dos artistas de rua mostrarem seu talento. Ele afirma que o evento já chegou a reunir 300 pessoas em uma noite.
Para a batalha acontecer é necessário a autorização eventual da Administração Regional de Taguatinga, emitida de acordo com o calendário eventual. Em algumas edições a administração ainda contribui com tendas e som. O órgão afirma que prioriza o incentivo da ocupação dos espaços públicos para eventos que promovam a cultura. Além do incentivo da Administração, os organizadores também providenciaram o apoio do 2° Batalhão da Polícia Militar para garantir a segurança aos jovens.
Por noite, até 16 MCs chegam a duelar, qualquer um pode participar, basta colocar o nome na lista até as 19h35. Após o duelo das duplas, o público escolhe o vencedor por meio de palmas e gritos.

A rivalidade só acontece nos versos, ao final de cada rodada, os MCs se cumprimentam e continuam curtindo a noite. “Aqui geralmente não ganhamos nada, competimos pela esportividade. O patrocínio é muito raro”, relata Carlos Roberto, o MC Draw, que participa do evento há dois anos.
Os MCs que participam na organização e na competição compartilham um sonho semelhante, fazer crescer o cenário do rap em Brasília. MC Draw afirma que seus objetivos de ficar famoso não são para ele, mas para trazer visibilidade a essa cultura. “A cena do rap no DF tá crescendo muito, ficando gigantesca”, afirma Carlos Roberto.

A letra das rimas que agitam os jovens são mais do que simplesmente provocação, os MCs colocam na batalha versos de luta, debate, militância e experiências pessoais. Lucas Yagamme diz que começou por influência do irmão e hoje coloca nas rimas fragmentos do seu passado. “É uma intervenção cultural, eu gosto de colocar no meu rap o que vivenciei no passado, que foi uma vida de crime, e quando me livrei disso, eu sabia que tinha que colocar essa experiência nos meus versos e nas minhas letras”, desabafa Yagamme.
Letícia Ribeiro, apelidada de Fugazi, tem 17 anos, participa dos encontros há um ano e é considerada uma das poucas MCs femininas do DF. Os encontros são para ela uma forma de evoluir, “minha influência sou eu mesma, eu tenho um jeito diferente de rimar, eu rimo ideologia e sangue, a gente bate de frente e depois a amizade continua a mesma. Eu já estou trabalhando para um dia poder levar o nome do DF nas costas”, explica.

Dê o play no vídeo e experimente um pouco da batalha:
Matéria Multimídia, desenvolvida para o projeto Agência de Notícias Anhanguera do curso de jornalismo, da Faculdade Anhanguera Brasilia (FAB), sob a supervisão da professora de comunicação Larissa Ribeiro.



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